Cabo de guerra entre Congresso e Executivo

Faltando menos de um mês para o fim do recesso parlamentar, o governo Temer continua mexendo os pauzinhos em busca de apoio para a reforma da Previdência.

Com o intuito de convencer a população sobre os benefícios da reforma, o presidente da República tem apelado para vários canais de comunicação. Temer quer empresários, apresentadores, influenciadores e pastores unidos na tarefa de afastar as resistências à reforma.

No retorno dos trabalhos legislativos, os deputados e senadores não vão discutir somente a reforma da Previdência. Os parlamentares vão encontrar uma pauta extensa de proposições polêmicas a serem votadas.

Restrição do foro privilegiado, redução da maioridade penal, liberação de jogos de azar e do casamento homoafetivo, além da proibição do aborto desde a concepção, são alguns dos projetos delicados que os parlamentares irão deliberar ao longo de 2018.

Outra missão do Congresso será examinar os vetos da Presidência da República aos projetos aprovados em 2017. Ao todo, já são 19 vetos na pauta, onze deles publicados durante o recesso parlamentar.

Um dos vetos mais polêmicos, que com certeza será derrubado pelos congressistas, é o que instituía o refinanciamento de dívidas para micro e pequenas empresas. A decisão foi criticada por parlamentares e pelo presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, em entrevistas recentes.

Alguns parlamentares e entidades ligadas à micro e pequenas empresas se reuniram, na quinta (18/01), na sede do SEBRAE nacional para buscar uma solução ao veto do presidente.

O que estamos vendo e ainda veremos muito ao longo desse ano é uma espécie de cabo de guerra entre o Congresso e o Executivo, onde um aprova o outo veta, resta saber qual lado será o mais forte. Infelizmente, nesse jogo quem sai perdendo é a população.

 

Esquema de Corrupção na Caixa Econômica Federal

O assunto que marcou essa semana em Brasília e em todo o país foi o esquema de corrupção deflagrado na Caixa Econômica Federal.

Quatro dos doze vice-presidentes da Caixa foram afastados do cargo nesta quarta-feira, após recomendações do Ministério Público e do Banco Central ao Presidente da República, Michel Temer.  Os dirigentes são investigados pelo MPF e pela Polícia Federal por suspeita de corrupção.

Uma auditoria realizada internamente no banco apontou uma série de irregularidades como a troca de favores na liberação de crédito à grandes empresas e políticos. Dois ex-presidentes da Câmara, Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves estão presos por causa de operações ligadas ao banco público.

Esse novo esquema de corrupção afeta diretamente a popularidade de Temer que já está bastante baixa. Com isso, ele poderá perder forças para aprovar algumas reformas.

Para evitar novos problemas, a  Caixa deve aprovar na próxima sexta-feira um novo estatuto em assembleia geral. Pelas novas regras os dirigentes passarão a ser escolhidos pelo conselho do banco e não mais pelo Presidente da República. O MPF deu prazo de 60 dias para o banco tornar mais objetiva e transparente a contratação de vice-presidentes.

O fim das indicações políticas no banco público não agradou os governistas que já avisaram a Temer que poderão enterrar a proposta da reforma da Previdência no Congresso. Os doze vice-presidentes na Caixa são indicações de partidos.

Falando agora em outro assunto, na última quarta-feira (17/01), mais um recurso para posse da nova ministra do Trabalho Cristiane Brasil foi negado pela justiça. Pelo jeito o PTB terá que indicar um novo nome a Temer para evitar mais desgastes.

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