Violência no Rio também impacta mineiros

A Polícia Militar iniciou nesta quinta (10) a Operação “Divisa Segura” em Juiz de Fora. O objetivo da ação é impedir que criminosos em fuga do estado fluminense por cauda das operações de repressão realizadas entrem na Juiz de Fora, que fica a apenas 150 quilômetros de distância da cidade do Rio de Janeiro.

Barreiras e bloqueios foram feitos ao longo da BR-040, e os policiais fizeram a abordagem a carros, motos, caminhões e ônibus interestaduais em pontos estratégicos nas entradas da cidade. A ação se baseia tanto com policiamento ostensivo quanto pelo trabalho da inteligência da Polícia Militar de acordo com o comandante da 4ª Região de Polícia Militar, coronel Alexandre Nocelli.

Além de Juiz de Fora a operação foi realizada em todas as cidades mineiras que fazem divisa com o Estado do Rio de Janeiro. Desde Tombos a Santa Rita do Jacutinga, foram 500 policiais envolvidos.

Caminhoneiro mineiro feito refém no Rio

Antonio Euclides Ribeiro, caminhoneiro de Visconde do Rio Branco, transportava uma carga de 20 toneladas de frango, avaliada em R$ 300 mil, para ser entregue em um mercado no bairro da Penha no último domingo (6) quando foi rendido por uma quadrilha quando passava na Avenida Brasil. Eram cinco assaltantes, mas apenas Emerson Garcia Miranda, de 19 anos, entrou no veículo. Segundo o caminhoneiro, os outros quatro assaltantes estavam em três automóveis, sendo que dois ficaram atrás da carreta e um ficou na frente.

De acordo com o caminhoneiro ele foi obrigado a retornar e dirigir por uma hora. Após ser avisada por um taxista a Polícia Militar começou a seguir a carreta. Homens do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE) da PM dispararam contra os pneus da carreta, forçando o veículo a parar. Emerson revidou o ataque. Negociadores do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) libertaram o refém após negociação. Durante a troca de tiros, assaltante e caminhoneiro ficaram feridos, mas sem gravidade.

“Toda hora ele dizia que iria me matar se eu deixasse os policiais passarem, se eu não corresse. Quando ele colocou a arma na minha cabeça eu só pensava nos meus dois filhos. Pensei que eu ia morrer, ele me apavorou o tempo todo. Quando começaram os tiros tive a certeza de que ia morrer. Foi muito tiro. De todos, graças a Deus apenas um acertou de raspão a minha perna e estilhaços acertaram no meu braço”, relatou Antônio.

Medo cresce entre os profissionais

Devido à violência, caminhoneiros de cidades mineiras próximas estão deixando de fazer viagens para o Rio de Janeiro. Além da insegurança, donos de transportadoras também têm tido gastos com prevenção e com os prejuízos diante dos roubos de carga.
Avilmar do Nascimento é ajudante de caminhoneiro e também já foi alvo dos criminosos na capital fluminense. “Eles pediram para parar o caminhão, estavam em dois carros, uma na frente e outro atrás e quando paramos eles desceram armados e pediram para ver a carga. Quando viram que se tratava de embalagem, nos mandaram embora,” lembrou.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Juiz de Fora e região, Osvaldo José da Silva, disse que os gastos das empresas aumentaram na tentativa de garantir a segurança da carga e dos profissionais.

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