Comentário de João Begatti
Atenção para um assunto que merece a reflexão de todos nós: a preocupação do setor produtivo brasileiro com o atual ambiente institucional do país.
Cerca de 2.757 entidades que representam empresas e setores produtivos demonstram preocupação com o desenrolar da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
E aqui é importante deixar uma coisa muito clara: independentemente de posições políticas ou ideológicas, um país precisa de instituições fortes, independentes e, acima de tudo, previsíveis.
O empresário que decide investir, ampliar uma fábrica, contratar funcionários ou iniciar um novo negócio precisa ter segurança para saber quais serão as regras do jogo amanhã.
Quando existe um ambiente de incerteza institucional, o investidor naturalmente fica mais cauteloso. E investimento que deixa de ser realizado significa menos empregos, menos produção, menos arrecadação e, consequentemente, menos crescimento econômico.
O Brasil já enfrenta desafios enormes: juros elevados, carga tributária pesada, burocracia e dificuldades para aumentar a produtividade. Não podemos acrescentar a tudo isso uma crise de confiança nas próprias instituições.
A democracia pressupõe divergências, debates e até conflitos entre os poderes. Mas esses conflitos precisam ser resolvidos dentro das regras constitucionais e com respeito à segurança jurídica.
O setor produtivo não está pedindo privilégios. Está pedindo previsibilidade para poder trabalhar, investir e gerar empregos.
Porque, no final das contas, quem paga a conta da insegurança e da instabilidade não é apenas o empresário. É toda a sociedade brasileira.
Esse é um assunto que merece a nossa atenção e, principalmente, muita responsabilidade de todos aqueles que ocupam posições de poder no Brasil.
