
Fazer o básico bem feito — esse foi o lema que orientou o trabalho da Fundação Casa de Cabangu desde junho de 2025, quando Tiago Guimarães assumiu a presidência. Após meses de reformas e reestruturação, o Parque Cabangu voltou a receber visitantes no dia 22 de março, abrindo novamente suas portas para turistas e para a comunidade local.
A cerimônia de reabertura contou com a presença de autoridades municipais, representantes do Exército e da Aeronáutica, membros da sociedade civil, imprensa e até um sobrinho-bisneto de Alberto Santos Dumont. Em seu discurso, o prefeito Pacifico Junior anunciou que o valor do repasse da prefeitura à Fundação será triplicado, garantindo melhores condições para a preservação e manutenção do museu.
O ex-prefeito Dr. Pacífico, citado no discurso de Tomás Castello Branco como um dos gestores que mais contribuiu para o museu, também esteve presente:
Representando a família de Alberto Santos Dumont, esteve presente seu xará e sobrinho-bisneto, Alberto Dodsworth Wanderley, filho do brigadeiro Nelson Freire Lavenère-Wanderley.

“Pensar o passado para compreender o presente e idealizar o futuro“
Logo após a notícia da morte de Alberto Santos Dumont chegar à então Palmira, Oswaldo Castelo Branco dirigiu-se à Casa de Cabangu e resgatou documentos e objetos de valor histórico que encontrou no local. Muitas vezes, retirando de sua própria residência telhas e materiais para a manutenção da casa, ele garantiu não apenas a preservação da história, mas também de um patrimônio riquíssimo que, sem sua dedicação, teria se perdido ao longo dos anos.
O legado de Oswaldo foi continuado por seus filhos, Tomás e Mônica, que herdaram o mesmo carinho e zelo pelo espaço. Assim como o pai, dedicaram décadas de suas vidas à conservação da Casa de Cabangu, transformando o local em uma verdadeira extensão de seus lares.
Com o objetivo de assegurar a preservação daquilo que tanto lutou para proteger, Castello Branco não apenas preparou seus filhos para a missão, mas também convidou jovens professoras para, juntos, fundarem a Fundação Casa de Cabangu.
A escolha foi estratégica: educadoras que transmitiriam conhecimento e perpetuariam o legado, e jovens que teriam tempo de plantar, cuidar e colher os frutos desse trabalho. Entre elas estava a mãe da professora Rosa de Fátima, que seguiu os passos da família na dedicação ao museu.
Ninguém faz nada grande sozinho
Parceiro de longa data da Fundação Casa de Cabangu, o Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais, Campus Santos Dumont desempenhou papel decisivo nos últimos meses e segue presente agora, com a reabertura do museu.
O que esperar?
Uma história que encanta
Não se trata da famosa Encantada de Petrópolis, também ligada a Santos Dumont, mas desta outra casa igualmente mágica: a Casa de Cabangu. Foi aqui que nasceu o inventor e, anos mais tarde, ao reencontrá-la, voltou a se apaixonar por suas origens. Este lar lança raízes profundas não apenas entre os que nasceram em Santos Dumont, mas também faz corações distantes pulsarem, mostrando que sua força simbólica transcende fronteiras e gerações.
Muito além da história

Alunos do 1º ano da Epcar e a máquina de escrever deo historiador Oswaldo Castello Branco
Um dos marcos históricos e culturais mais significativos de Minas Gerais, o Museu Casa de Cabangu é reconhecido não apenas como o local de nascimento de Alberto Santos Dumont, o “Pai da Aviação”, mas também como o refúgio escolhido por ele para se afastar da vida agitada da Europa. Ali, deixava de lado o inventor e se dedicava às coisas simples: o cuidado com a fazenda, a criação de gado e a contemplação da natureza.
Fundada em 1949 pelo historiador Oswaldo Castelo Branco, a Fundação Casa de Cabangu tem a missão de salvaguardar a memória de Santos Dumont. Mais do que preservar sua genialidade, protege o cotidiano de um homem simples, apaixonado pela beleza natural que o cercava.
Localizado na Serra da Mantiqueira, o Parque da Casa de Cabangu é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). Com seus 36 hectares, o espaço preserva não apenas a memória do inventor, mas também o ecossistema da região. O conjunto inclui a casa natal de Santos Dumont, além de um lago, uma cascata e áreas de preservação ambiental que reforçam o caráter único deste patrimônio.
O Lar
A casa original foi erguida no século XIX para abrigar os engenheiros responsáveis pela construção da ferrovia Dom Pedro II — mais tarde conhecida como Central do Brasil. Entre eles estava Henrique Dumont, pai de Alberto Santos Dumont, que ali se estabeleceu com sua família, dando início a uma história que se entrelaçaria para sempre com o destino da Casa de Cabangu.
O Acervo
O museu abriga peças de valor inestimável, entre elas objetos pessoais de Santos Dumont, como roupas, o célebre chapéu de abas caídas, luvas e o mobiliário original da família. Também estão expostas réplicas e protótipos de seus desenhos técnicos e invenções, incluindo o 14-Bis e o Demoiselle.
No acervo documental, destacam-se cartas, fotografias raras e registros de seus experimentos realizados em Paris. A Casa preserva ainda a réplica da urna que guarda o coração do inventor — o original encontra-se no Museu Aeroespacial, no Rio de Janeiro.
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