A cidade de Ewbanck da Câmara, na Zona da Mata mineira, completou nesta segunda-feira, dia 1º, 63 anos de emancipação política, mas sua história é muito mais antia que isso, foi escrita entre trilhas, tábuas e trilhos.
O município carrega em sua origem uma trajetória entrelaçada com os caminhos da história do Brasil colonial. Suas raízes remontam ao século XVIII, quando a abertura do Caminho Novo, rota que ligava Minas Gerais ao Rio de Janeiro, impulsionou o desenvolvimento de toda a região de passagem, incluindo Barbacena, Santos Dumont e Juiz de Fora.
Durante o ciclo do ouro, o acesso ao interior das Minas era feito por trilhas delineadas pelos índios goytacázes, conhecidas como Caminho Novo. Para superar os desafios da Serra do Mar e facilitar o escoamento da produção aurífera, foi construída a Estrada Real, ainda no século XVIII. Ao longo dessa via, surgiram diversos entrepostos logísticos que fomentaram o povoamento da região.
Às margens da Estrada Real, nasceu um pequeno povoado que viria a ser conhecido como Tabuões. O nome, curioso e simbólico, surgiu da prática local de colocar grandes tábuas sobre o terreno úmido e lamacento — típico de brejo — para permitir o tráfego. A paisagem marcada por taboas e tábuas deu identidade ao lugar, que passou a ser chamado, naturalmente, de Tabuões.

A virada para o progresso veio em 1890, com a inauguração de uma estação da Estrada de Ferro Central do Brasil no povoado, então pertencente a Juiz de Fora. A ferrovia, que conectava Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, foi fundamental para o desenvolvimento da indústria cafeeira e acelerou o crescimento local. A estação recebeu o nome de Ewbank da Câmara, em homenagem a um engenheiro da companhia ferroviária.

Em 1923, o lugarejo foi elevado a distrito de Santos Dumont. Durante o Estado Novo, o nome foi aportuguesado para “Eubanque”. Em 1962, ao ser emancipado como município, retomou oficialmente o nome original: Ewbank da Câmara.

Fotos: instagram @cidade_de_ewbank_da_camara
