Imagem gerada por IA (Gemini)
Com a Ângela Maria um acontecimento foi um pouco diferente. O Herivelto, já tarde da noite, entra como uma bala pela porta de sua residência, gritando: “É você, é você…”. Ângela, assustada, ouviu a angústia daquele senhor. Depois de desentendimentos e entendimentos, resolveu ceder-se ao compositor que queria, naquela hora, a gravação da música que trazia. Foi um dos grandes sucessos da cantora, quer em disco solo, ou em dupla com João Dias, o Príncipe da Voz, ou com Agnaldo Timóteo.
Todos sabemos que a rua Uruguaiana, no Rio de Janeiro, era o local de grandes lojas como a Garson, Tonelux e Rei da Voz. Logo após a gravação de “Mamãe”, Ângela Maria, indo ao Centro da Cidade, vê na Uruguaiana um tremendo corre-corre. Julgava ser lançamento de um novo eletrodoméstico, mas que nada, era seu próprio disco sendo vendido aos borbotões e já com uma fila de espera para uma nova edição. Foi o presente do Dia das Mães mais vendido naquela ocasião.
Lembrar da Garson vai ser uma “viagem”. Em seu estoque tinha, entre outros, o ”Rádio Capelinha”, a “coqueluche” do momento. Essa Organização inaugurou uma profícua fase de aproximação com os grandes cantores e cantoras da época, que lá apareciam para atrair presença dos fãs e consequente aumento nas vendagens de discos. A própria Ângela Maria e Cauby Peixoto faziam parte dos artistas.
Recordar a Tonelux é buscar um tempo áureo. Quem não vai se lembrar de Neide Aparecida? Era sua melhor garota-propaganda, quiçá do Brasil. Os produtos eram vendidos nesse formato.
E o Rei da Voz? Essa inspiração foi uma justa homenagem ao Francisco Alves. Essa Casa patrocinava os grandes e nobres horários da Rádio Nacional, sempre incentivando a música e levando ao ar o de melhor em MPB. Aliás, os proprietários começaram lá, há mais de 70 anos e hoje estão ativos fazendo as edições do Rock in Rio.
David Nasser também merece uma consideração, pois suas reportagens sempre foram as melhores, as de mais impactos e, não obstante, trabalhava no “O Cruzeiro”.
“Mamãe” tem um destaque hodierno, pois faz parte da trilha sonora de abertura de “Doce de Mãe”, série da Rede Globo.
Papais, vai um recado para vocês e conversem baixinho com seus filhos. Usem a imaginação para homenagear a “Rainha do Lar” e coloquem como música de fundo essa valsinha, mas baixem Ângela Maria e Agnaldo Timóteo. Se não obedecerem a essa informação, não vai ficar bom, principalmente se inverterem. O arranjo é lindo, a música muito bem cantada e vai rolar a emoção que se espera. “Elas” merecem!
Texto de Carlos Alberto F. Barbosa, o Beto de São João Nepomuceno.
Letra: Mamãe
de Herivelto Martins e David Nasser
Ela é a dona de tudo
Ela é a rainha do lar
Ela vale mais para mim
Que o céu, que a terra, que o mar
Ela é a palavra mais linda
Que um dia o poeta escreveu
Ela é o tesouro que o pobre
Das mãos do senhor recebeu
Mamãe, mamãe, mamãe
Tu és a razão dos meus dias
Tu és feita de amor e de esperança
Ai, ai, ai, mamãe!
Eu cresci, o caminho perdi
Volto a ti e me sinto criança
Mamãe, mamãe, mamãe
Eu te lembro o chinelo na mão
O avental todo sujo de ovo
Se eu pudesse eu queria outra vez, mamãe
Começar tudo, tudo de novo
