
Comentário de João Begatti
Existe um Brasil que todos nós conhecemos. Um Brasil que enfrenta estradas precárias, ferrovias insuficientes, portos que precisam de modernização, problemas de saneamento, deficiência na mobilidade urbana e uma infraestrutura que, em muitos lugares, simplesmente não acompanha as necessidades da população e da economia.
E agora temos números que mostram a dimensão desse problema.
Um estudo da Confederação Nacional da Indústria revela que, em 2024, o Brasil investiu R$ 266,8 bilhões em infraestrutura, o equivalente a apenas 2,27% do PIB.
Mas o país precisaria investir aproximadamente 4,65% do PIB, algo próximo de R$ 550 bilhões por ano, e manter esse esforço durante pelo menos vinte anos para superar o déficit histórico acumulado.
É muito dinheiro? Sim!
Mas a pergunta que precisamos fazer é outra: quanto custa para o Brasil continuar não investindo?
Quanto custa uma estrada ruim? Quanto custa uma carga que demora mais para chegar ao destino? Quanto custa a falta de saneamento? Quanto custa uma cidade sem transporte adequado? Quanto custa a energia cara, a logística ineficiente e o desperdício de recursos?
No fim das contas, quem paga essa conta é o cidadão brasileiro.
Paga no preço dos alimentos, no preço dos produtos, no custo do transporte e na dificuldade de encontrar emprego e oportunidades.
E existe outro ponto fundamental: o governo sozinho não conseguirá resolver esse problema. Será necessário mobilizar recursos públicos e privados, ampliar investimentos e criar condições para que o capital tenha segurança para permanecer no país durante décadas.
Porque ninguém coloca bilhões em projetos de longo prazo quando as regras podem mudar a qualquer momento.
O Brasil precisa de segurança jurídica, estabilidade, planejamento e projetos de qualidade.
Precisamos parar de pensar apenas na próxima eleição, no próximo orçamento ou no próximo ano.
Um país sério precisa pensar nas próximas décadas.
A infraestrutura que deixarmos para nossos filhos e netos será consequência das decisões que tomarmos hoje.
O Brasil tem recursos, tem capacidade e tem gente competente.
O que não podemos aceitar é continuar adiando aquilo que já sabemos que precisa ser feito.
Investir em infraestrutura não é apenas construir estradas, portos, ferrovias ou redes de saneamento. É construir o próprio futuro do Brasil.
E futuro, meus amigos, não se constrói apenas com discursos.
Futuro se constrói com planejamento, investimento e decisões que tenham coragem de olhar muito além do presente.
