O Hospital Regional João Penido, da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), em Juiz de Fora, inicia, em novembro, uma importante adequação de sua unidade neonatal. O objetivo é alinhar a estrutura e os fluxos assistenciais às diretrizes da Rede Alyne, programa do SUS que atualiza e amplia a antiga Rede Cegonha, com foco no cuidado integral para reduzir a mortalidade materna e de bebês.
O hospital passará a contar com oito leitos de Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Convencional, para bebês em recuperação clínica; e quatro leitos de Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal Canguru, voltados ao fortalecimento do vínculo entre mães e filhos – além dos leitos neonatais de terapia intensiva.
As obras fazem parte de um plano elaborado em conformidade com a Portaria GM/MS nº 5.350/2024, a Resolução RDC nº 920/2024 e a Deliberação CIB-SUS/MG nº 5.312/2025. A reestruturação prevê a reorganização dos leitos neonatais e a criação de novas áreas especializadas, de forma a ampliar a segurança, a humanização e a qualidade da assistência prestada aos bebês internados.
O investimento total será de mais de R$1,7 milhão. As intervenções, que terão duração de aproximadamente 120 dias, incluem modernização da infraestrutura e aquisição de equipamentos, como incubadoras, berços aquecidos, ventiladores e monitores multiparamétricos, além de adequações elétricas e hidráulicas, instalação de sistemas de climatização, iluminação e controle de infecção e melhorias nas áreas de descanso das equipes médica e de enfermagem.
A conclusão das obras está prevista para março de 2026. Vale ressaltar que as intervenções serão realizadas fora do período de sazonalidade das doenças respiratórias nas crianças.
De acordo com o diretor do hospital, Adelton Andrade, as obras representam um avanço importante para a rede regional de atenção materno-infantil.
“Estamos nos adequando a normas nacionais que reforçam a segurança e a qualidade do cuidado neonatal. Mais do que uma exigência técnica, essa reestruturação é um compromisso com a vida e com o acolhimento humanizado das famílias que confiam no nosso trabalho”, ressalta.
O diretor destaca ainda que a iniciativa reforça o papel do HRJP como referência em assistência neonatal de alta complexidade.
“A nova configuração permitirá fluxos mais integrados entre a UTI Neonatal e as unidades intermediárias, garantindo uma transição segura para cada etapa do cuidado”, explica.
O plano também prevê capacitação das equipes multiprofissionais, com treinamentos voltados à utilização de novos equipamentos e às rotinas específicas da UCINCo e da UCINCa.
Transição
Durante as obras, o HRJP adotará estratégias para garantir a continuidade da assistência. A UTI Neonatal 1, que conta com dez leitos, seguirá em funcionamento normal. Já a UTI Neonatal 2 passará por obras para receber a UCINCo e a UCINCa. Neste período, a UTI Pediátrica, que possui dez leitos, terá uso reversível, podendo atender tanto pacientes pediátricos quanto neonatais, conforme demanda. Essa flexibilização temporária permitirá a execução das obras sem comprometer o atendimento, uma vez que, historicamente, a unidade pediátrica intensiva possui baixa ocupação, não chegando a 50% de uso dos leitos.
Quem foi Alyne Pimentel, que dá nome a rede para gestantes e bebês

Alyne Pimentel, morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por falta de atendimento adequado na rede pública de saúde do município de Belford Roxo (RJ), em 2002. Alyne também era mãe de uma criança de 5 anos. A morte da jovem levou o Brasil a ser condenado internacionalmente, em 2011, pelo Comitê para Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra Mulheres das Nações Unidas (ONU), com recomendações para diminuir os números de morte materna evitável, reconhecida como violação de direitos humanos das mulheres a uma maternidade segura.
Em 2014, 12 anos após a morte de Alyne, o governo federal indenizou sua família. Na ocasião, uma cerimônia simbólica foi realizada em Brasília, onde a mãe de Alyne, Maria de Lourdes da Silva Pimentel, recebeu uma placa em homenagem à sua filha. O governo pagou a Maria de Lourdes US$ 55 mil, a título de reparação financeira pela morte de Alyne.
Para conhecer melhor a história da Alyne, clique aqui!
