
Tem um sinal de alerta importante vindo da indústria brasileira. E quando a indústria reduz sua disposição para investir, o problema não fica restrito às fábricas. Ele pode chegar ao emprego, à renda, ao consumo e ao próprio crescimento da economia.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a intenção de investimento caiu pelo quarto mês consecutivo e chegou a 51,3 pontos em setembro, uma queda de 1,3 ponto em relação a agosto. É o menor nível desde agosto de 2020, ainda no período da pandemia. Desde maio, o indicador já acumula uma queda de 3,5 pontos.
E existe outro dado preocupante: o Índice de Confiança do Empresário Industrial também recuou em setembro, para 44,9 pontos, permanecendo abaixo da linha dos 50 pontos. Segundo a CNI, são 21 meses consecutivos sem confiança por parte da indústria.
E aqui está o ponto central: ninguém investe milhões de reais quando não sabe o que vai encontrar pela frente.
Uma empresa que pretende ampliar uma fábrica, comprar máquinas, contratar trabalhadores ou abrir uma nova unidade precisa de previsibilidade. Precisa saber como estarão os juros, os impostos, a demanda e, principalmente, precisa confiar nas regras do jogo.
A própria CNI aponta as incertezas econômicas entre os principais obstáculos aos investimentos. Em levantamento divulgado em março, 63% das empresas que tinham planos de investimento apontaram as incertezas econômicas como uma das dificuldades para executar seus projetos.
E é nesse ponto que precisamos discutir também a segurança jurídica e a confiança nas instituições brasileiras. Escândalos de corrupção, conflitos entre os Poderes e decisões institucionais que geram insegurança podem alimentar a percepção de risco dos agentes econômicos. Essa é uma discussão que precisa ser feita com fatos, transparência e respeito às instituições — porque confiança não se decreta: confiança se constrói.
O Brasil precisa urgentemente recuperar a capacidade de planejar o futuro.
Porque investimento significa máquina funcionando, fábrica produzindo, trabalhador empregado, comércio vendendo e dinheiro circulando.
Quando o empresário pisa no freio, toda a economia sente.
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