
Depois de três décadas à frente de um telejornal regional na TV Globo, e de uma carreira sólida também no rádio em Juiz de Fora MG, decidí viver uma nova experiência: ser proprietário de uma emissora de rádio FM em Santos Dumont, cidade de pouco mais de 42 mil habitantes.
O contraste é evidente. Em Juiz de Fora, com mais de 600 mil moradores, a audiência era ampla, diversificada e exigente. Havia recursos, estrutura e uma rotina intensa de cobertura. Já em Santos Dumont, o cenário é outro: a proximidade com o público é maior, os ouvintes conhecem pessoalmente quem está por trás do microfone, e a rádio se torna parte viva da comunidade.
Os desafios são muitos. Em cidades pequenas, a sustentabilidade financeira da emissora depende de criatividade, de parcerias locais e de uma programação que realmente reflita os interesses da população. É preciso lidar com limitações de mercado, mas também com a responsabilidade de ser uma das principais fontes de informação e entretenimento da região.
Por outro lado, essa vivência é extremamente rica. Estar tão próximo da comunidade permite compreender melhor o papel social da comunicação. Cada notícia, cada programa, cada música transmitida tem impacto direto na vida das pessoas. É uma oportunidade de voltar às raízes do rádio: ser companhia, ser voz, ser ponte entre cidadãos e acontecimentos.
Ser radiodifusor em uma cidade pequena é, portanto, um exercício de resiliência e de paixão pela comunicação. É aprender que, mesmo com menos recursos, o valor da experiência profissional está em manter viva a essência do rádio: informar, emocionar e conectar pessoas.
